As listas de competências costumam parecer uma parede de substantivos: comunicação, liderança, adaptabilidade. É difícil se avaliar com base em substantivos. Comportamentos são mais fáceis, porque dá para imaginá-los acontecendo. Este artigo pega as seis competências avaliadas pelo Teste de Competências da JobCannon e coloca cada uma numa terça-feira comum, com uma coisa que você poderia ver alguém fazer e um ponto cego que costuma se esconder ali dentro. Os pontos cegos são padrões gerais, não conclusões sobre você, e o teste é uma autoavaliação, então trate tudo o que segue como pontos de partida para reflexão.
Comunicação e Resolução de Problemas: ser compreendido e destravar
Numa terça-feira: você envia uma mensagem que permite ao leitor agir sem precisar responder perguntando o que você quis dizer e, numa reunião, confere se o que disse foi entendido em vez de presumir que foi.
Comportamento observável: um pedido que termina dizendo o que é necessário, de quem e até quando. Ponto cego comum: tratar “eu enviei” como “eles entenderam”. Escrever com clareza não adianta se a pessoa que precisava da mensagem nunca a leu, ou leu de um jeito diferente do que você pretendia.
Numa terça-feira: um relatório não fecha. Em vez de rodá-lo de novo e torcer, você delimita onde os números divergem e confere primeiro a explicação mais simples.
Comportamento observável: anotar o que se sabe, o que se supõe e o que testar em seguida. Ponto cego comum: agarrar-se à primeira explicação familiar ou corrigir o sintoma sem perguntar por que ele continua voltando.
Liderança e Iniciativa, Planejamento e Organização: dar ao trabalho direção e ritmo
Numa terça-feira: ninguém é formalmente responsável por uma tarefa solta, então você diz quem vai fazê-la e até quando, ou se oferece. A liderança aqui é um comportamento, não um cargo, e pode aparecer em alguém sem subordinados diretos.
Comportamento observável: indicar um responsável e uma data para algo que não tem dono e assumir o resultado quando ele dá errado. Ponto cego comum: confundir liderar com fazer, assumindo a tarefa porque é mais rápido, de modo que a equipe nunca aprende. O ponto cego oposto é esperar autorização para liderar algo que já é seu.
Numa terça-feira: na tarde de segunda-feira você olhou a semana, percebeu que dois prazos colidiam na quinta-feira e antecipou um deles. Hoje tudo corre bem por causa disso.
Comportamento observável: dividir uma tarefa em etapas, colocá-las em ordem e deixar folga antes do prazo. Ponto cego comum: planejar para um dia ideal, sem espaço para as interrupções que sempre chegam. Há também o inverso: aperfeiçoar o plano como forma de adiar o começo.
Adaptabilidade e Trabalho em Equipe: continuar útil quando planos e pessoas mudam
Numa terça-feira: às dez horas um cliente adia uma reunião, ou uma ferramenta em que você se apoia muda de funcionamento. Você reorganiza o dia sem ficar emburrado por muito tempo.
Comportamento observável: perguntar o que mudou e o que continua igual e depois dizer em voz alta como o plano muda. Ponto cego comum: confundir adaptabilidade com dizer sim a tudo. Se você muda toda vez que alguém pede, algo importante cai silenciosamente da lista e ninguém percebe. O padrão oposto, defender o plano original por lealdade a ele, é o outro ponto cego.
Numa terça-feira: a nota de passagem de trabalho de um colega está superficial. Você faz uma pergunta em vez de contornar a lacuna e avisa quem espera pela sua parte que ela vai atrasar um dia, antes que a pessoa precise perguntar.
Comportamento observável: levantar um bloqueio cedo e dar crédito aos outros pelo nome. Ponto cego comum: ser prestativo, mas invisível, absorvendo em silêncio o trabalho dos outros para que a equipe nunca veja a carga, ou evitar o desacordo de modo que os problemas aparecem tarde.
Onde as seis se sobrepõem
As seis não são seis caixas separadas. Uma nota de passagem de trabalho, talvez o documento mais simples da vida profissional, usa comunicação (está clara?), planejamento (o próximo passo está listado?) e trabalho em equipe (ela facilita o trabalho da outra pessoa?). Uma mudança repentina de prioridades é um momento de adaptabilidade, mas lidar bem com ela exige também planejamento, para reordenar o trabalho, e comunicação, para avisar as pessoas afetadas.
Liderança sem comunicação é adivinhação para todos os outros. A resolução de problemas muitas vezes precisa de trabalho em equipe, porque a causa de uma falha costuma estar na área de outra pessoa. Essa sobreposição é um dos motivos para ler um perfil como um conjunto e não como seis veredictos separados: um hábito como avisar as pessoas cedo pode tocar duas ou três áreas ao mesmo tempo, então um resultado baixo numa pode ecoar em outra.
Descobrindo o ponto cego que você não consegue enxergar sozinho
Um ponto cego é, por definição, algo que você não percebe, o que faz da autoavaliação uma ferramenta desajeitada para encontrar um sozinha. O Teste de Competências mostra como você descreve cada área; não consegue mostrar o que você deixa de fora. Esse é um limite de toda autoavaliação, e quão precisa é a autoavaliação no trabalho o explica com mais detalhes. Aqui vai um jeito de lidar com isso.
- Faça o teste e anote sua competência mais alta e a mais baixa.
- Para cada uma, leia o ponto cego acima e pergunte-se se ele soa como você. Desconfie de um “não” rápido.
- Pergunte a um colega o que ele observou, com uma pergunta específica como “Quando você me viu fazer uma tarefa andar, e quando me viu deixá-la parada?”
- Acrescente um retrato das habilidades com a Auditoria de Habilidades, já que um problema de comportamento e uma lacuna de habilidade pedem soluções diferentes.
Se uma área se destacar, desenvolver uma competência de trabalho em 30 dias a transforma num pequeno experimento, e mostrar competências no currículo e nas avaliações explica como falar das mais fortes com evidências. Para saber como ler o próprio resultado, veja o que é um teste de competências.